quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Usinas nucleares no nordeste



Os estudos para implantação de "novas" plantas industriais de usinas nucleares são antigos no Brasil.

Hoje, a tendência mundial, logo após o grave acidente de Fukushima, no Japão, que passou por um terremoto e uma tsunami, é de que a comunidade internacional, deve se distanciar dos programas nucleares.

O Brasil, com recentes descobertas, tendo novas e grandes áreas aptas a mineração de urânio, desenvolve projetos para a construção de termonucleares.








A região nordeste, há muitos anos, mais precisamente na região de Caetité, no Sudoeste da Bahia, tem uma província uranífera. Existe uma unidade de mineração e beneficiamento, explorada desde 1997 pela INB (Industria Nuclear do Brasil), empresa vinculada ao Ministério de Ciência e Tecnologia, que atua na cadeia produtiva do urânio, indo da mineração a fabricação, produzindo aproximadamente 400 toneladas de concentrado de urânio, que depois de processado, serve para gerar energia na usinas nucleares de Angra I (gerando 657 MWe) e Angra II (gerando 1.350 MWe).

Novas descobertas em outubro deste ano informam a existência de mais urânio e com o dobro de concentração, do já extraído, nesta única mina ativa do País, acreditam os técnicos que esses novos resultados indicam excesso e que a reserva de Caetité dobrará de tamanho.

Existe também, uma jazida de urânio no Município de Santa Quitéria, no Estado do Ceará, denominada pela INB (Indústria Nuclear Brasileira), jazida Itatiaia, detendo uma capacidade de 79,5 toneladas lavráveis de urânio, onde será implantado um parque industrial para exploração a céu aberto, ao que tudo indica no ano de 2017.

O Comitê de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro, criado em 2008, através de estudos, determinou metas e fixou diretrizes. Propondo a criação de duas usinas nucleares no Nordeste, após detectar a necessidade de expansão do sistema elétrico brasileiro.

O PNE (Plano Nacional de Energia), também aponta para as necessidades de novas usinas nucleares no Brasil, até o ano de 2030.

As também chamadas termonucleares do Nordeste terão uma capacidade unitária de gerar 1.000 MWe. Pessoas ligadas ao Governo noticiam que apesar dos esforços e expansão, as fontes geradoras de energia eólica e solar não possuem potencial suficiente, para manter o País em seu desenvolvimento industrial, permanecendo assim, a necessidade de ampliar a construção de usinas hidrelétricas, térmicas e nucleares.

Mais uma nova jazida de urânio puro, pronto para ser explorado, foi encontrada ao norte de Manaus (AM), possuindo 150 toneladas de capacidade de extração, dentro de uma reserva indígena, mas, ao que parece, em nada irá “atrapalhar” a mineração.

Todo esse excesso de urânio servirá de combustível para alimentar Angra III (previsão de gerar 1.405 MWe), ao que tudo indica, irá ser concluída, abastecendo também as oito novas termonucleares brasileiras, sendo duas em nosso querido Nordeste.

A escolha para implantação da indústria nuclear irá de considerar vários aspectos, como a geografia, o índices econômicos da região, segurança ambiental, aspectos demográficos, metereológicos, hidrológicos, geológicos, sismológicos, o somatório dos pontos de viabilidade, será fator determinante para uma futura instalação.

As atividades eletronucleares, são fiscalizadas e licenciadas observadas as Salvaguardas, os aspectos ambiental, nuclear e produtivo. Os respectivos Órgãos fiscalizadores são:
CNEM – Comissão Nacional de Energia Nuclear, vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia;
IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente;
ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Dividir o Pará, diminuir ou multiplicar problemas?


No dia 11 de dezembro próximo, haverá plebiscito no Estado do Pará, que está inserido dentro da área de abrangência da Amazônia legal. A população dirá sim ou não a divisão do Estado para a criação de mais duas entidades federativas, o Estado de Tapajós e o Estado de Carajás.


Alguns dos motivos alegados para a divisão do Estado são: sua grande extensão territorial, gera dificuldade para a cobertura e aplicação de políticas públicas; geração de novos empregos; melhoria das condições econômicas e sociais da região esquecida pelo poder público.
Vale ressaltar que o custo para a realização desta consulta pública vai girar em torno de 10 milhões de reais.
O raciocínio é que, em um estado menor, todos os serviços públicos funcionam de maneira correta, toda a população é atendida e praticamente não existem problemas de nenhuma ordem.
O que automaticamente nos remete a pensar que, todos os Estados pequenos, deveriam ser superpotências econômicas e financeiras, tendo obrigatoriamente os índices de desenvolvimento humano levados ao topo da aprovação .
Não que sejamos contra ou favorável a divisão do Pará, pensamos que o assunto é muito abrangente, sendo de interesse nacional, cabendo uma maior reflexão, precisão ao julgar a viabilidade econômica e financeira de tal medida, pois trata-se de uma entidade federativa estratégica, rica em minérios, madeira, bacias hidrográficas e colocada dentre as últimas fronteiras intactas de preservação ambiental.
Estudos mostram exaustivos dispêndios na criação de novos Estados. O IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), demonstra em simulação de gastos , cifra que gira em torno de 1 bilhão de reais por ano, em amparo a um novo Estado na federação brasileira.
Por Estado, serão criados 1 cargo eletivo de governador, 3 cargos eletivos para Senador, 8 para Deputado Federal e mais de uma dezena para Deputado Estadual. 2 novas Capitais, Sedes novas para o Poder Executivo, Legislativo e Judiciário, Tribunal de Contas, Sedes para Secretarias e uma infinidade de Órgãos públicos com sedes próprias e seus respectivos cargos.


Ao final, quando estiverem aptos para o correto e eficiente funcionamento, tanto tempo se passou, tanta verba terá sido aplicada, que talvez não exista mas nem o que fiscalizar, atentando para a conotação de educação e preservação ambiental que formatamos e norteamos o texto.
Diretamente ligado ao meio ambiente, está o Pará. Tem atividades econômicas importantes, como o extrativismo mineral (ferro, bauxita, ouro, estanho, manganês), o extrativismo vegetal da castanha do pará, de madeira, sendo também grande produtor de pimenta-do-reino do Brasil.
O Pará é o segundo maior Estado do Brasil em extensão territorial, existem áreas de reservas indígenas, segundo a FUNAI nele concentra-se 31 etnias indígenas, espalhadas em 298 povoações conhecidas. Possui áreas de floresta intactas, áreas de conservação instituídas por lei, áreas militares, áreas estratégicas requeridas e bloqueadas pela União, montanhas e rochas com inscrições pré-históricas. Pequenas modificações nesses meios, geram grande impacto no que diz respeito aos aspectos ambientais, uma divisão do Estado, gera o fracionamento dessas áreas, podendo ocorrer uma grande desordem e um dimensionamento ambiental diferente, imposto pelos novos legisladores estaduais.
Qual será a estratégia para o desenvolvimento econômico desses Estados? Florestas serão derrubadas? Grandes campos para plantio de grãos, para a criação de gado serão formados? A exploração mineral será aumentada e aplicada em toda a região ?
Em definitivo, a realidade ambiental do Pará será substancialmente modificada, não estamos aqui emitindo juízo de valor, apenas refletindo e aventando ocorrências que poderão contribuir de alguma maneira para eventual degradação ambiental.
Esclarecemos também que não somos contra o desenvolvimento e o crescimento econômico do País. As informações transmitidas a população é que melhorias na saúde, na educação, nos transportes acontecerão, bem como a geração de novos empregos e consequentemente a melhoria do padrão de vida. Apenas gostaríamos, que democraticamente e com toda a transparência necessária, a população diretamente atingida tivesse a conscientização, revestida de fundamentação legal e com toda a clareza possível de todas benesses prometidas. Poderiam começar explicando quais os empregos, onde serão gerados e quando começarão a surgir.
Todas as ameaças implícitas neste ato, deveriam ser alertadas, até que tudo esteja em perfeito funcionamento, como fica o meio ambiente? como serão resolvidas as questões ecológicas na implantação de parques industriais? quanto tempo vai levar? essas perguntas não devem ser esquecidas, para que os defensores separatistas permaneçam sempre com a verdade, já que são múltiplos os interesses e os problemas.
Conforme matérias divulgadas, Depois da divisão o Pará ficaria com 86 Municípios e algo em torno de 4,5 milhões de habitantes, o novo Estado de Carajás com 39 Municípios e 1,5 milhões de habitantes, já Tapajós teria 27 Municípios, com a população girando em torno de 1,2 milhões de habitantes.
Tapajós teria uma grande área de florestas, PIB de 6,4 bilhões de reais, aptidão turística e de serviços, instalando-se a Hidrelétrica de Belo Monte. Carajás com PIB de 19,6 bilhões de reais, aptidão industrial, já com tradição agropecuária, contando com siderúrgicas, mineradoras, hidrelétrica e eclusas de Tucuruí, serra dos carajás (maior província mineral do mundo), rio Araguaia, rio Tocantins. O Pará teria PIB de 32,5 bilhões, mantendo logicamente infra estrutura existente.


Nota-se uma grande diferença entre PIB, levando a interpretação de que um Estado já nasceria mais rico que o outro, levando a desigualdades em vários níveis.
Nos perguntamos, criando novos Estados, resolveremos os problemas sociais, ambientais e econômicos ? estamos trilhando o correto caminho do desenvolvimento?
Estão dividindo riquezas e problemas igualitariamente, ou só problemas?
O Pará tem responsabilidades e dívidas? Existindo, quem as herdará?
Diante de tantos recursos tecnológicos como satélites, internet, GPS, geomonitoramento, mapeamento geoambiental, uma vasta gama de soluções tecnológicas, em nada contribuiriam aos gestores públicos, para cobrir, monitorar e rastrear "grandes extensões territoriais" em tempo real?
Fortalecendo e equipando os Órgãos estatais, gerindo a coisa pública com seriedade, educando, fiscalizando, pagando salários decentes aos funcionários, poderíamos evoluir na gestão publica?
Criação e instalação de entidade federativa nova, pode gerar déficit, o novo Estado, para promover a efetiva manutenção da saúde, educação e segurança, deve atrair novos recursos, inclusive federais, em acontecendo isto, saindo a União em seu auxílio, pode ocorrer aumento de carga tributária no País e a menor disponibilização de recursos a outras regiões igualmente necessitadas, por diversos motivos como o flagelo da seca, desastres naturais, geadas, inundações e epidemias.
O Estado do Pará ao longo dos anos enfrenta sérias questões relacionadas a divisão de terras, trabalho escravo, exploração irregular de Madeira, garimpos em terras indígenas, muito sangue já foi e continua sendo derramado, acreditamos que o ponto inicial, seria pacificar o Estado, solucionando de uma vez por todas, essa guerrilha no norte do País.
Consultando reportagens antigas, encontramos nomes de alguns defensores do meio ambiente, dos direitos humanos e apoiadores de causas nobres, assassinados no Pará:
João Chupel Primo; Irmã Dorothy Steiner; José Claúdio Ribeiro da Silva; Maria do Espiríto Santo da Silva; Valdemar Oliveira Barbosa; Bartolomeu Morais da Silva; Neire Rejaine dos Santos Guimarães; José Dutra; Ademir Federicci; José Aldo Alves da Silva; Raimundo Ferreira Lima; Gabriel Sales Pimenta; Irmã Adelaide Molinari; Arnaldo Delcidio Ferreira; João Canuto; Antônio Teles; Alcina Gomes; Francisco Euclides de Paula; José pinheiro Lima; José Dutra da Costa.


Encontramos também, relatos de diversas chacinas ocorridas, relacionadas a conflitos diversos, ocasionando até reação da OEA (Organização do Estados Americanos): Caso Ubá, 1985 (8 mortos); Chacina Dois Irmãos, 1985 ( 6 mortos); Chacina Surubin, 1985 ( 17 mortos); Chacina Princesa, 1985 (5 mortos); Chacina Paraúnas, 1986 (10 mortos); Chacina Goianésia, 1987 (3 mortos); Chacina Pastoriza, 1995 (3 mortos); Massacre de Eldorado do Carajás,1996 (19 mortos); Chacina São Francisco, 1996 (5 mortos); Chacina Santa Clara, 1997 (3 mortos); Chacina Morada Nova, 2001 (3 mortos); Chacina do Picadão, (5 mortos).Com informações da CPT (Comissão Pastoral da Terra) 726 pessoas foram assassinadas no Pará, 76 pessoas sofreram tentativa de homicídio e ocorreram 454 prisões de trabalhadores rurais.


Em plena ditadura militar, nos anos 70, o Governo Brasileiro deu inicio a programas de investimento e desenvolvimento da amazônia. Foram construídas estradas como a transamazônica, hidrelétricas e financiamento de grandes projetos de exploração das diversas riquezas encontradas no Pará. Grandes grupos econômicos do Brasil, foram atraídos com recursos federais subsidiados pela SUDAM, instalando-se principalmente nas partes Sul e Sudeste do Estado. Na região, existia os nativos, já ocupando o lugar há décadas , eram pequenos agricultores, tribos indígenas que sobreviviam do extrativismo.


Ao mesmo tempo, o Governo Brasileiro incentivava trabalhadores sem terra e financeiramente menos favorecidos a ocuparem as terras do Norte do País. Uma grande quantidade de famílias de todas as regiões do Brasil, pobres e sem terra, rumaram ao Norte, em busca das terras prometidas, para plantar e sobreviver. Nascem os conflitos, pobres e sem terra, ao chegar no Pará, deparam-se com os nativos, grandes latifúndios e fortes grupos econômicos, também "convidados" pelo Governo.


Sem moradia, sem recursos, sem emprego e sem comida, levantaram casebres, construíram vilas, muitos se tornaram empregados dos grandes pecuaristas, outros se tornaram madeireiros, garimpeiros e caçadores.
Instauram-se na região os conflitos de interesse, surgindo assim, o inicio de grandes problemas, que diminuíram, mas são observados até os dias de hoje.
O INCRA, já em alguns anos atrás, reconhecia algo em torno de 400 assentamentos oficiais (60 mil famílias). Os recursos financeiros disponibilizados são parcos, mas existem, muitos são provenientes do Governo Federal, entregues aos Municípios, através de Órgãos executivos e gerenciadores, como: Ministério do Desenvolvimento Agrário, INCRA, FUNASA, FUNAI, Ministério da Saúde, Ministério da Educação, as Transferências Constitucionais(CIDE, IPI-EPX,FEX,FUNDEB), existindo também a Agência de Desenvolvimento da Amazônia.


Nesses últimos 30 anos a área relativa a Amazônia Legal, recebeu programas de desenvolvimento regional, com ações governamentais e também da iniciativa privada, alguns como: PIN-Programa de Integração Nacional, POLOAMAZÔNIA, DESENVOLVIMENTO RURAL INTEGRADO, GRANDE CARAJÁS, PROJETO PILOTO DE ESTRATÉGIAS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, PROGRAMA BRASIL EM AÇÃO, AVANÇA BRASIL, PROGRAMA DE ACELERAÇÃO DO CRESCIMENTO, Com exceção do Programa Piloto de Desenvolvimento Sustentável, promovendo o correto manejo dos recursos naturais, todos os outros afetaram o meio ambiente.


Ampliaram a infra-estrutura, reforçaram as atividades econômicas, promoveram a colonização , reduziram impostos e diminuíram a carga tributaria atraindo investidores do setor privado, expandiram a pecuária, mineradoras e indústrias, lembrando que todos aprovados pelo Governo. Dividiram pólos de crescimento direcionando por focos setoriais, produziram energia, redes de transmissão, só que a grande questão continua sendo CONSERVAÇÃO PRODUTIVA X DESENVOLVIMENTO DESTRUTIVO.

O Programa Piloto, contemporâneo, ainda em fase experimental, com o apoio do G-7, apoiado por toda a cúpula internacional, que tem por iniciativa financiar a reorganização dos modelos de desenvolvimento regional da Amazônia Legal, aplicando aproximadamente 290 milhões de dólares e assistência técnica, levando informações para a população regional atingida por tais projetos já relatados, em conjunto com o Governo Federal, Sociedade Civil Brasileira e Banco Mundial permanecem gerando resultados ambientalmente corretos e funcionando dentro de um Estado por inteiro.

O Governo Federal tem sua participação efetiva, cumpre seu papel para com a população, torna-se até repetitivo, mas é necessário relembrar, talvez os gestores municipais enfrentem dificuldades em bem administrar a aplicação de verbas recebidas.

A parteira, o rezador e o curador de cobra



A essência que reveste a atual consciência ecológica, a necessidade de levar uma vida de maneira mais saudável e cada vez mais próxima da natureza, nos remete ao saudosismo.Fazendo um exercício mental e relembrando algumas figuras do passado, vem-nos a memória algumas de muita importância e atuantes em nossa cultura.


A figura da parteira, pessoa muitas vezes rodeada de muita simplicidade, mas ao mesmo tempo possuidora de grandes conhecimentos, habilidade no manuseio de ervas e plantas medicinais, com enorme consciência humanitária, conhecimentos empíricos de psicologia, deixava no ar até um sentimento de alquimia. Pois, levava conforto às famílias das parturientes, ao mesmo tempo em que as relaxavam com massagens, chás e diversas técnicas herdadas e repassadas das avós as netas, ao longo de muitos anos. Manuseavam ervas, raízes, diversos tipos de plantas que tinham em sua própria plantação, ou que eram muitas vezes mantidas em segredo e cuidadosamente coletadas na mata algumas horas antes do parto, havendo assim uma preocupação na preservação e consciência ecológica .


Parecendo ter algo como verdadeiras fórmulas medicamentosas, contribuíam para o bom desenvolvimento do parto, criavam alternativas para diminuir a dor, preocupavam-se em evitar infecção, ajudavam a estancar hemorragia, usavam fundamentos elementares de ginecologia, recomendavam ou não o uso de certos alimentos parecendo até com nutricionistas. Também não se esqueciam de repassar a nova mãe a correta maneira de amamentar, observar o comportamento do filho e os sinais de saúde e de doença, ações que hoje os pediatras bem executam.


Não podemos esquecer a figura do rezador ou da rezadeira, que balbuciando algumas palavras incompreensíveis, tendo nas mãos alguns galhos, ramos e folhagens das mais variadas formas e espécies, preparavam todo um ritual, criava-se muitas vezes uma áurea espiritualista, levando alento, conforto, extirpavam os males da alma, acabavam com o "mau olhado" transmitindo aos seus "benzidos" a paz e a crença na cura do corpo.


De uma fazenda à outra, de um sítio para o outro, parteiras e rezadores se deslocavam, por vezes, esses caminhos eram trilhados a noite, dependeria da necessidade do "paciente". O perigo se tornava constante,daí surgia outra figura muito importante, o "curador de cobra", que também possuindo conhecimentos adquiridos de seus antepassados, repassados somente aos escolhidos, perpetravam a sua reza e ao dirigir seus pedidos a determinada pessoa, os protegia da peçonha de cobras, escorpiões e de outros animais venenosos.


Todas essas histórias são da nossa terra, de nossa gente, ouvíamos quando meninos, fazem parte da nossa cultura, da cultura popular, contada em histórias pelos mais velhos, mantida pela tradição, pelos costumes, resguardada no direito ambiental, que entre tantas atribuições, regulamenta e protege o patrimônio histórico e cultural.


Esse nosso patrimônio cultural é o conjunto de todos esses rituais, a criatividade, o engradecimento pela vivência dos nossos ascendentes, a força nas crenças, a espiritualidade, toda essa memória encontra amparo na Lei.


Cabendo ao homem de hoje, informatizado, tecnológico, o devido julgamento: o que deve manter; o que vai mudar e o que deve ser esquecido.


Tendo eu já conhecido: um rezador, uma parteira e um curador de cobra, digo com toda certeza, muito aprendi e muito me orgulhou.

NAS SERRAS ALAGOANAS ENCONTRAMOS UMA VEGETAÇÃO DIFERENTE.


O tema é proposital, parte de uma salutar tentativa de incentivar a prática de esportes corretamente ecológicos e ações sustentáveis .

Geralmente nos contentamos em observar os morros, montanhas e outras elevações construídas pela natureza, apenas de longe, ou só apenas de dentro do carro.

Quase nunca temos oportunidade de descer do carro, caminhar pelo mato, seguir uma trilha, subir as serras e contemplar a natureza de cima para baixo.

Tendo essa oportunidade, aproveite-a, além do bem físico, proporcionado ao nosso corpo, uma boa caminhada alivia o estresse do dia a dia, queima calorias, melhora o condicionamento físico e respiratório.

A natureza é tão sábia e bondosa, achando pouco em nos ofertar uma contemplação maravilhosa no alto das serras, que para alcançá-la nos presenteia com o esforço físico necessário a manutenção da boa saúde. Também promove uma verdadeira higiene mental, através de tanta riqueza e beleza levada aos nossos olhos.

No topo das serras, observaremos plantas e porque não dizer uma vegetação diferente, cores exóticas, folhas com textura e formatos interessantes, com um pouco de sorte observaremos espécimes raras e endêmicas.

Por todo o mundo, em muitos lugares, temos a prática de ecotrilhas, ecoturismo, rafting, trekking, canyoning, rapel, escalada, corrida de aventura, montanhismo, arvorismo, contemplação a geoparques e monumentos naturais. Atividades regulamentadas e legalmente incentivadas por organizações nacionais e internacionais.

O que nos falta, é uma melhor conscientização ecológica, investimentos em educação ambiental, o que nos levaria a um melhor desenvolvimento. Manteríamos famílias no campo, promovendo-lhes a devida geração de renda e digno sustento. Ao mesmo tempo, um número ilimitado de pessoas iriam ter espaço para a prática de esporte, recreação, divertimento com toda a família, em lugares saudáveis e interessantes.

A natureza nos fornece tudo isso e clama apenas por uma retribuição, basta apenas a sua preservação .

sábado, 5 de novembro de 2011

Fatos e Fotos


Peixes invasores






João mole, peixe bigode, bagre preto, monstro do brejo, todos esses nomes nos remetem a um mesmo tipo de peixe, que ė o bagre africano. Trata-se de uma espécie exótica, introduzida no Brasil, que proliferou-se de maneira indiscriminada.

Quando de sua introdução ao nosso meio, acreditamos, feita de maneira controlada e limitada a determinada área, deve ter ocorrido todo o procedimento legal, desde a sua importação até sua criação em cativeiro.
Por acidente, ou de forma mal conduzida, adentrou em algumas regiões, tornou-se espécie invasora, extremamente agressiva e voraz, sem predador natural.
Em algumas localidades do agreste alagoano, já foram observados por proprietários rurais, acreditando-se na possível existência dessa espécie em diversos córregos, açudes, barreiros e pequenos cursos d'água .
Tornou-se algo curioso, pois não se tinha notícia e nem conhecimento de tal peixe, qual seria o seu nome e de onde teria vindo.
Sendo uma espécie exótica, não existindo predador natural, pode se tornar uma verdadeira praga, pois além de muito resistente, devora quase tudo que encontra em seu caminho, se reproduz de maneira fácil e rápida.
Compete diretamente com os animais nativos da nossa fauna aquática, se alimenta de outros peixes, de pequenos anfíbios, crustáceos e moluscos. Sai da água, arrasta-se pelo chão e consegue percorrer longas extensões por dia.




Na África, em regiões desérticas, com baixo nível de desenvolvimento humano, com a fome e a guerra assolando seus habitantes, esse peixe torna-se alternativa de alimento e sobrevivência humana, por aqui, não é tão apreciado e não faz parte do cardápio cotidiano.


Temos várias espécies de peixe por nossa região, a traíra, o cará, o caborje, o jundiá, até mesmo a tilápia (exótica, adaptada e sem problemas), todos possuem um melhor aproveitamento, sendo até mais palatáveis, afirmam conhecedores do assunto.


Mantendo uma interferência direta no ambiente aquático, devorando e constantemente diminuindo a população nativa de nossos peixes, causa um desequilíbrio ambiental.


Acreditamos, que a lontra, por ser um animal de costumes e hábitat aquático, se alimente desse tipo de peixe, o que a tornaria um predador desses invasores, ajudando no controle ambiental de tal praga.


Infelizmente, a lontra, encontra-se quase ameaçada de extinção, ainda teimam em caçá-la e tornou-se raro, avistar esse animal.


Sem a devida educação ambiental, não existindo a consciência de preservação e sem a preocupação com o desenvolvimento sustentável, assistimos ao filme :


" MONSTRO DO BREJO - O INVASOR"


Prólogo :
" O homem sem emprego e com fome, caça a lontra para se alimentar. Sem conhecimento, destrói a natureza e ainda permite a proliferação de uma espécie invasora. Ensinam o homem a criar e pescar o peixe errado, não preservando a natureza, o desenvolvimento sustentável passa a ser filme de ficção, continuamos degradando, poluindo e sendo invadidos por espécies alienígenas."

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Garimpando no Mar





No mar, além da pesca, temos produção de petróleo e gás, espaço para a geração de energia eólica “offshore”, existindo ainda diversas riquezas.


Só que para a sua correta exploração deve haver um amplo estudo do impacto ambiental, só depois os Órgãos oficias liberam e autorizam o correto funcionamento, mas, sempre acompanhando, avaliando, monitorando e efetivamente fiscalizando essas ações.


O Brasil tem mais de 7.000 km de litoral, nessa imensa área e dentro do mar encontramos: ouro, diamantes, calcário, fósforo, platina, cobalto, níquel, terras raras, tálio e outros minérios de grande importância comercial.


O nosso Brasil, reconhecidamente um País rico e muito privilegiado em aspectos naturais, abre novas fronteiras e alternativas para o desenvolvimento e sustento do seu povo.


Mas, para tanto, não poderemos esquecer a educação e preservação ambiental, só dessa maneira, encontraremos alternativas e as soluções tecnológicas, para a correta exploração, engrandecimento industrial e desenvolvimentista do nosso País.


O Governo brasileiro, já faz investimentos e se esforça nessa área, o que contribuirá e muito para a evolução tecnológica, preservação ambiental e a correta geração de recursos advindos deste setor minerário.


Entre as possíveis complicações ambientais de tal exploração, estão a turbidez das águas, interferência direta no habitat marinho, níveis desconhecidos de poluição, apenas para enumerar alguns, entre diversos e impensáveis acontecimentos.


Mais um desafio que se impõe as gerações futuras, já que praticamente, este tipo de mineração, aqui no Brasil, apenas se inicia.