
O Pitu, que aparece no título dessas breves linhas, é um invertebrado aquático - crustáceo, outrora encontrado em abundância nos nossos rios, habitando em tocas de pedra e entre a vegetação no fundo das águas. Iguaria bastante apreciada em nossa cultura gastronômica.
Já o livro vermelho referenciado, não é o de receitas culinárias, trata-se do " Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção", publicado pelo Ministério do Meio Ambiente - MMA, listando oficialmente a existência de 627 espécies ameaçadas de extinção.
O Pitu, crustáceo da espécie macrobrachium carcinus, vem ao longo dos anos, sendo pescado indiscriminadamente, sua procura alcança parâmetros predatórios, levando-o a beira da extinção.
No Rio São Francisco,partindo da barragem de xingó, até sua foz, em seus afluentes e nos braços de rios que adentram o interior do Estado, a sua presença e oferta na natureza tem diminuído, devido a degradação do seu habitat, poluição das águas, aterros, barramento de cursos d´agua, desmatamentos e a não adoção de correto modelo de ocupação territorial da população humana.
Quando encontrado, devido a coleta excessiva, seu tamanho é cada vez menor, significando pouca maturidade, comprometendo a capacidade reprodutiva, aumentando cada vez mais a vulnerabilidade da espécie, sendo esta também, uma prática ilegal e passível de punição.
Na falta de programas técnicos que ofereçam correto manejo da espécie e promova alternativas de sustentabilidade, a "iguaria" corre sério risco de virar raridade. Esta publicação do Ministério do Meio Ambiente, serve de alerta, torna-se uma ferramenta legal, mostrando a necessidade de implementar políticas públicas que promovam conservação, monitoramento, plano de recuperação e a devida educação ambiental, para que os ribeirinhos alcancem seu sustento sem destruição, não sejam responsabilizados e promovam aos consumidores do saboroso crustáceo, a certeza de consumir um alimento que advém de práticas legais, seguras e ambientalmente corretas.
O Poder Público, a sociedade organizada, acadêmicos, técnicos, preferencialmente todos em conjunto, deveriam promover a conscientização ambiental uniforme e coletiva, fazendo nascer um sentimento de preservação, em torno dessa antiga e rudimentar prática pesqueira.
Implementando soluções, visando a diminuição dos riscos no manejo, promovendo a reabilitação populacional e perpetuação de importante espécie de nossa fauna aquática, um dos pilares do sustento de pescadores e seus familiares, pois é de grande procura e valor agregado em restaurantes típicos, de gastronomia regional especializada, frequentado por fiéis apreciadores de um bom prato.
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